Genética

A atrofia muscular espinhal é uma doença genética que cursa com a morte de neurônios motores devido à redução nos níveis da proteína SMN, que é necessária para a sobrevivência do neurônio. 

Em pessoas saudáveis, a proteína SMN é produzida a partir do gene SMN1, localizado no cromossomo 5q. Em pessoas com AME, uma mutação no gene SMN1 faz com que uma parte dele, Exon 7, esteja ausente e assim, ele perde a sua função de produção da proteína SMN. 

A proteína SMN também pode ser produzida a partir de um segundo gene muito parecido com o SMN1, conhecido como gene SMN2. No entanto, somente uma pequena parte da proteína SMN produzida pelo gene SMN2 é funcional, de forma que não é suficiente para  “suprir” toda a necessidade da proteína para manter os neurônios motores saudáveis.

A AME 5q é uma doença genética de herança autossômica recessiva. Os indivíduos que apresentam os sintomas da doença possuem dois alelos SMN1 com mutação, um herdado do pai e outro da mãe. 

Hereditariedade

O pai e a mãe possuem uma cópia do alelo mutado e a outra cópia normal. Graças a essa cópia normal do SMN1, que consegue produzir a proteína SMN para alimentar o neurônio motor, não apresentam os sintomas da AME. 

O indivíduo que tem uma cópia do alelo mutado e a outra cópia normal é chamado portador. Aproximadamente uma a cada 50 pessoas são portadoras da mutação no gene SMN1. Quando o indivíduo tem as duas cópias dos alelos mutados, diz-se que é afetado – e desenvolverá os sintomas da AME. A chance de que estes pais portadores tenham um filho afetado é de 25% a cada gestação.

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Diagnóstico

 O único exame capaz de confirmar a AME é o teste genético molecular. Se o paciente tiver sintomas que indicam suspeita de AME, deve-se conduzir diretamente o teste genético.

Antigamente, era comum a solicitação, por parte do médico, de exames como a eletroneuromiografia e a biópsia muscular. Porém, esses exames não são capazes de fechar o diagnóstico de AME, são extremamente dolorosos para a criança e só fazem atrasar o fechamento do diagnóstico do paciente. 

Por isso a recomendação do Consenso 2018 é que, se há suspeita de AME, deve-se partir para o exame genético de imediato.

Inicia-se a investigação por técnicas que detectam deleção do gene SMN1. A ausência do éxon 7 nos dois alelos do gene SMN1 confirma o diagnóstico de AME 5q. Caso seja detectada uma cópia completa do gene e haja sinais clínicos de AME 5q, deverá ser realizado o sequenciamento do gene para detecção de mutações pontuais. A presença de mutação de ponto em um dos alelos, sendo o outro deletado, confirma o diagnóstico de AME 5q. 

Para a confirmação do diagnóstico genético, a quantificação das cópias do gene SMN2 não é necessária. Mas o conhecimento da quantidade de cópias do gene SMN2 também é importante, pois pode auxiliar na predição da severidade da doença e abordagem terapêutica. 

Atualmente existem meios para que o médico responsável pelo paciente solicite a realização do teste genético molecular e a avaliação do número de cópias do gene SMN2 de maneira gratuita em caso de suspeita de AME. Não é necessário que o médico tenha especialidade específica, ou seja, qualquer CRM pode fazer o pedido.

O teste genético é fornecido por um laboratório independente, que é responsável pelo envio do kit diagnóstico, pela logística de recolhimento da amostra coletada, pelo processamento do exame e pelo laudo técnico. As informações são enviadas diretamente ao médico solicitante.

Para a realização do exame através desse canal, o paciente com suspeita de AME 5q deve preencher e assinar termo de consentimento para realizar o exame (obtenção da amostra, transporte e realização do exame pelo laboratório independente).

Para mais informações e orientações sobre o teste genético gratuito em caso de suspeita de atrofia muscular espinhal, entre em contato conosco.

Triagem Neonatal para AME

Com a recente incorporação de tratamentos farmacológicos ao SUS, torna-se urgente discutir a triagem neonatal para AME. Isso porque, como a doença é degenerativa, todos tratamentos farmacológicos desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento apresentam um resultado tanto melhor, quanto mais cedo se inicia o tratamento na criança. O padrão outro de resultados dos tratamentos ocorre quando a criança inicia o tratamento na fase pré-sintomática, ou seja, antes de manifestar os sintomas da doença.

Portanto, tendo em vista que o tratamento já será fornecido pelo SUS, é importante discutir maneiras de como obter os melhores resultados possíveis para estas crianças. Se iniciado na fase pré-sintomática, esta criança terá grande potencial para desenvolver uma vida normal e produtiva, sem ter ao longo de sua vida intercorrências ou limitações que poderiam representar outros custos ao sistema público de saúde.

Existem técnicas para a realização de testes genéticos que possuem resultados confiáveis e custos muito viáveis, bem abaixo do que os atuais, o que possibilita considerar a implantação da triagem neonatal para a AME em toda a população. É preciso lutar por esta política pública, que é o caminho para um futuro sem AME no Brasil.

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